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   Monday, September 13, 2004
Momento de Reflexão...

Não sei se este texto é mesmo do Luiz Fernando Veríssimo, mas, de qualquer forma, é muito bom! DELEITEM-SE!

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do
talvez é a desilusão
de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me
mata trazendo tudo
que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou
ainda joga, quem quase
passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem
quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos
dedos, nas chances
que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do
papel por essa
maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma
vida morna; ou melhor não
me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e
frieza dos
sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença
dos "Bom dia", quase
que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra
ser feliz. A paixão
queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses
fossem bons
motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o
nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não
teria ondas, os
dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O
nada não ilumina,
não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o
vazio que cada um traz
dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas
estejam ao
alcance, para as coisas que não podem ser mudadas
resta-nos somente paciência.
Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é
desperdiçar a
oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros
fracassos, chance;
pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar
alma. Um romance
cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não
deixe que a saudade
sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de
tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais
horas realizando que
sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando
porque, embora
quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Luiz F. Veríssimo